Domingo, 27 de Maio de 2007

Escravas sexuais contam a sua história de horror

 

Timor. Durante a ocupação japonesa centenas foram violadas. Exposição em Tóquio revela abusos do exército japonês durante a guerra

 

Kiyolio Furusawa conta histórias de terror que ainda hoje assombram as mulheres de Timor-Leste, como a de Marta Abu Bere que, durante a ocupação japonesa do país (1942 a1945), chegou a ser violada por dez militares diferentes por noite, todas as noite. Destino idêntico - a escravidão sexual - tiveram pelo menos 270 mulheres de Timor-Leste levadas pelo exército.

"Muitas delas eram muito jovens, nem sabiam o que era o sexo e por isso tinham muito medo. Para além de terem relações com os soldados durante a noite, eram forçadas durante o dia a construir estradas, a trabalhar na agricultura e a fazer comida'', contou a professora da Universidade Cristã das Mulheres de Tóquio ao jornalista da Lusa, Rui Boavida. "A `avó' Marta disse que nessa altura até tinha inveja dos animais domésticos. Eles podiam dormir durante a noite", refere Furusawa. "Diversas mulheres que recusaram a escravidão e as torturas sexuais foram executadas."

A professora é a organizadora da exposição em Tóquio sobre o sistema de escravatura sexual do Japão em Timor, que se baseia na recolha, por parte de organizações de direitos humanos, de testemunhos orais das mulheres, fotografias e relatos de sobreviventes e testemunhas - incluindo três veteranos de guerra.

As forças japonesas entraram em Timor-Leste em Fevereiro de 1942 para expulsar as forças australianas que tinham ocupado o território em Dezembro de 1941, violando a neutralidade da então colónia portuguesa. "Localizámos já 20 postos onde o exército estabeleceu as chamadas “estações de conforto”. É altamente provável que existisse uma por cada um dos 27 postos que existiam em Timor em 1944. Mas podiam ser mais. Cada um tinha pelo menos 10 raparigas", conta Furusawa.

Mesmo depois da saída das tropas, as feridas das jovens escravas sexuais não se fecharam. Aos traumas físicos e psicológicos das violações juntava-se agora a incompreensão e o desprezo dos timorenses. "As pessoas pensavam que tinham recebido privilégios", disse a professora.

A Coligação Japonesa por Timor-Leste exige que o Governo japonês reconheça as vítimas e pague indemnizações. O Japão recusa, afirmando não ter recebido qualquer pedido do Executivo de Timor-Leste.

 

Fonte: Diário de Notícias

Data: 27-05-07

Pág. 31

Por Zito Soares às 13:11
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