Quarta-feira, 9 de Maio de 2007

O desafio da paz em Timor-Leste

Adelino Gomes

 

A fraca votação obtida por Lu Olo e Ramos-Horta na 1.ª volta das presidenciais timorenses constitui uma penalização a duas figuras que os eleitores conhecem há longos anos. Mas representa, também, sinal de uma acentuada perda de influência eleitoral do partido de que Lu-Olo é presidente, a Fretilin.

Embora Lu-Olo lembre, nestas páginas, que uma coisa é ouvir os líderes, em Díli, outra ver o povo que vota, na montanha, o apoio de cinco dos seis candidatos que ficaram pelo caminho abre, à partida, perspectivas francas de vitória a Horta.

Será difícil não ler, numa eventual derrota de Lu-Olo - que está a ser prevista pela generalidade dos observadores, mas a que só o voto dos timorenses dará ou não substância -, a antevisão do que serão os resultados eleitorais nas legislativas de 30 de junho.

O apoio activo de Xanana a Horta e de Alkatiri a Lu-Olo tornam a eleição de hoje numa verdadeira primeira volta da disputa entre a Fretilin e o CNRT. Ao votarem num ou noutro, será a Xanana e a Alkatiri que os eleitores estarão a dar, de algum modo, um sim antecipado. Até porque, no quadro constitucional, é o Governo quem determina, mais do que o Presidente, os caminhos que o Estado segue nas áreas política, económica, social e cultural.

A Presidência, apesar de tudo, ocupa um lugar simbólico de enorme importância no país. Até pela marca que nele deixa a figura ímpar de Xanana. Num país dilacerado por divisões ancestrais a que a crise de há um ano deu perigosas conotações político-partidárias, o grande desafio para o vencedor consistirá, assim, em transformar em duradouro o clima de paz vivido nas últimas semanas

Qualquer dos cenários em jogo - e eles são numerosos e cruzados Horta e CNRT (ou uma coligação deste); Horta e Fretilin; Lu-Olo e Fretilin; Lu-Olo e CNRT – exigir-lhe-á ainda especial capacidade para gerar consensos, numa sociedade que apenas começou a aprendizagem da democracia.

Horta e Lu-Olo comprometem-se, nestas páginas, a trabalhar com qualquer Parlamento e Governo eleitos. São boas notícias. Mostram que ambos têm consciência de que a paz nas ruas só será ganha se a elite política garantir, primeiro, a paz nas instituições.

 

Fonte: Público

Data: 09-05-07

Pág. 4

Por Zito Soares às 16:12
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