Terça-feira, 17 de Novembro de 2009

Memória da ocupação de Embaixada US em Jakarta 1994 (5)

Apesar das dificuldades acima referidas, calor trópico da noite e mosquitos que não deixaram dormir, não conseguimos resistir. Cada um encontrava o seu lugar na garagem, utilizando as moçilas que traziam como almofada e no meio da brincadeira, anedotas e risos sob espreitadelas de segurança de Soeharto e batalhão de jornalistas estrangeiras e nacionais noutro lado de grade conseguimos adormecerer.

 

Quando abrimos os olhos já era de dia. Era domingo, dia 13 de Novembro. Não podiamos tomar banho. Para fazer as necessidades, embaixada providenciou-nos uma lata (um latão)no canto mais fundo da embaixada para o efeito. Lavávamos apenas os dentes e a cara e depois cada um volta para o seu lugar.

 

Era bom que tomávamos um pequeno almoço ou um café quente, mas tudo isso não tinham importância, pelo menos, para aquele momento. Continuávamos sem receber nenhuma refeição ou algo parecida da embaixada. Mas não dávamos importância a isso. Houve até um jornalista que no perguntou, "porque é que não pediamos alguma coisa a embaixada para comer?". A resposta foi de que, "não estavamos aí por causa de comida, estavamos aí por uma causa maior que é a nossa libertação. Se era por causa de comida, estávamos a perder o nosso tempo na embaixada".

 

Enquanto isso, a cidade de Jakarta estava tentar voltar ao seu rítmo habitual mas, com algumas restrições, principalmente junto á embaixada americana. Parecia-me que a cidade, pelo menos demonstrava através do rosto dos militares indonésios noutro lado de grade, estava a tentar gerir o falhanço de segurança que permitiu a nossa acção na embaixada americana. Pelo menos, uma parte importante do regime de Soeharto estava a ser desmascarado e ainda mais no seu próprio capital político.

 

A II Cimeria de APEC que estava a preste começar no dia seguinte, a questão de Timor-Leste passou a dominar agenda pelo menos nos círculos de imprensa.

 

Eram 8 ou um pouco mais quando soubemos notícias através de rádios intercionais (acima referidas) de que os nossos companheiros jovens em Timor tinham feito protesto com o mesmo fim, depois de missa de domingo na residência episcopal em Lecidere. Recebemos notícias com determinação e fé de que a nossa acção iria prolongar. E estavamos dispostos e determinados para este fim. Foi maior onde de solidariedade que recebemos dos nossos companheiros de luta.

Por Zito Soares às 01:15
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