Terça-feira, 10 de Novembro de 2009

Memória da ocupação de Embaixada US em Jakarta 1994 (2)

 

Dia 12 de Novembro de 1994

 

Os por menores engraçados de como iludimos a segurança.

Os responsáveis da acção tinham lançado boatos de que os estudantes timorenses iriam fazer manifestação no dia 15 de Novembro em Bogor. O local escolhido para a abertura da II Cimeira de APEC na Indonésia. Não deram conta de que sábado, 12 Novembro era a comemoração do 3º aniversário do trágico acontecimento em Stª. Cruz.

 

Antes de chegar a Yogyakarta alguns estudantes tinham ideia de desistir do percurso e quando o comboio chegar a cidade de Bandung sairiam. No entanto com calor e cansaço da viagem, adormeceram. Quando abriram os olhos o comboio já estava a entrar na cidade de Jakarta. Era dia 12 de Novembro... Quando o bomboio seguia o seu percurso para a estação de Pasar Senen onde nós saíriamos, pus-me a pensar, exactamente este dia três anos antes assistia os meus colegas tombados no cimetério de Stª Cruz em nome de liberdade e a independência. Como recordação daquele dia trágica para os meus colegas levavam comigo as marcas de estilaços. Com a mesma fé e determinação não vamos deixar que este dia morra e que a acção que estava para acontecer seja levada em sucesso. 

 

O comboio parou na Estação Pasar Senen. Eram 7 e pouco de manha de sábado do dia 12 de Novembro. Saíamos de comboio dois a dois em diferentes caruagens. De lá seguimos para a estação de camioneta que fica noutro lado da rua. Tínhamos que apanhar o autocarro nº. 96 (Se não estou em erro) com percurso pela Monas (Monumento Nacional) onde situa a embaixada norte americana.  

 

Ao sair do comboio alguns colegas foram presos. Gerou certo medo e ansiedade e a preocupação era como saía de lá. E muitos de nós nem se quer conheciam a cidade de Jakarta. A preocupação era chegar a estação de autocarro. Um grupo pequeno conseguiram apanhar o autocarro com passagem por Monas e saímos em frente da residência do vice-presidente, que era Try Sutrisno. Já estavamos desanimados...Caminhamos de um lado para outro no jardim de Monas a procura de solução. Eu quis desistir e não tinha dinheiro suficiente para a viagem de regresso. Para além disso o clima de segurança não estava favorável. 

 

Estavamos sentados ao pé de Monas, mais de 20 pessoas, quando companheiro Saky pediu-nos a nós para apanhar taxi. Apanhámos 5 ou 6 taxis com destino a embaixada que fica apenas 800 metros. Damos volta a embaixada uma vez para apanhar outros colegas que estavam perdidos na quarteirão atrás da embaixada. Com mais dois taxis seguimos em fila de 6 a 7 taxis para embaixada. Mal taxi parou gritamos as palavras de ordens e alguns começaram saltar o grade de embaixada. Em questão segundos já estávamos dentro da embaixada. Ocupamos um círculo muito pequeno na garagem da embaixada. Depois de passar a fase confusão... contamos e erámos apenas 28. Uma hora depois, com todo perimetro de segurança montada um colega nosso conseguiu saltar a grade com ajuda dos jornalistas. Passamos a ser 29.

 

A primeira fase de operação estava feita.

Por Zito Soares às 17:56
| Comentário
4 comentários:
De MHE a 12 de Novembro de 2009 às 10:51
Bravo para o Grupo dos 29!

Jamais esqueceremos Santa Cruz e os jovens que caíram, bem como os que continuaram a Luta e consumam o assalto à Embaixada em 1994!

Viva Timor-Leste independente!
De Ucabere a 13 de Novembro de 2009 às 03:02
Viva a todos vos irmaos do grupo 29. Conseguiram despertar o Clinton para a nossa sagrada causa. O vosso sacrificio cravou bem profundo no coracao do Presidente Americano, o que o levou tomar a decisao em 1999.

Agora estamos livres, politicamente. Mas estamos privados de muitos problemas que requerem o nosso continuo sacrificio para completar o nosso sagrado objectivo. LIBERTAR A PATRIA E LIBERTAR O POVO da pobreza, analfabetismo, obscurantismo e todos os defeitos socio-cultural e politico que tem vindo a constituir grandes entraves.

Um abraco amigo
UCA
De Joao Viegas Carrascalao a 15 de Novembro de 2009 às 02:47
Zito ,
Li com muita emoção as tuas memorias da ocupação da embaixada americana através dos links que a HE gentilmente colocou no fórum. Relato simples e desprendido de uma acção de vulto, decisiva na nossa luta pela libertação de Timor.
Devo antes de mais dizer-te que não eh meu costume comentar quaisquer postings nos variadíssimos blogs que se dedicam a questões de Timor. São muitos postings mas leio-os quase todos, muito embora o faca em diagonal, na maioria dos casos. Em consciência não poderia manter essa postura face as tuas memorias. Como disse atrás , um relato simples e desprendido de uma acção de vulto e decisiva na nossa luta. Coordena eu na altura a Frente Diplomática da Resistência e bem me lembro quão difícil foi nessa altura manter viva e dar continuidade as acções despoletadas pelo massacre do 12 de Novembro. A vossa heróica acção trouxe trouxe um novo crepitar na chama da luta que ameaçava perder intensidade. Foi uma acção valorosa, direi mesmo heróica , de um punhado de jovens em terras hostis que nos permitiu demonstrar uma vez mais a determinação do povo timorense em conquistar a sua libertação . Uma acção de imensurável dimensão , de coragem, de determinação e destemor frente a todos os perigos, incluindo a vossa própria morte. Um punhado de jovens, sem dinheiro, sem protecção mas destemidos oferendo a vida pela libertação do seu povo. Que nobreza de espírito e que grandeza de alma. A tua escrita demonstra exactamente isso e essa eh a razao porque não poderia deixar de te oferecer esta simples homenagem, para ti e para os teus colegas. Jovens que tudo deram e nada pedem em retribuição . Obrigado por relembrar esses não muito longínquos dias, mas que muitos parecem ter já esquecido. A realidade dos dias de hoje eh bem diferente desses dias em que todos, todos irmanados pelo mesmo ideal da libertação nos dávamos as mãos , sem preconceitos de qualquer espécie , sem atendermos as diferentes persuasões politicas, confissões religiosas ou estatuto social. Os timorenses, lado a lado com a solidariedade internacional, em busca do cumprimento do mais básico direito do Homem, ser livre e senhor do seu destino. Que fenómeno de solidariedade humana, sem precedentes e impar na historia do mundo. Os teus artigos transportam-me a esses tempos, para que não nos esqueçamos dos nossos heróis sem nome. Bem hajam e que Deus vos abençoe. Eu jamais vos esquecerei.
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Zito , <BR>Li com muita emoção as tuas memorias da ocupação da embaixada americana através dos links que a HE gentilmente colocou no fórum. Relato simples e desprendido de uma acção de vulto, decisiva na nossa luta pela libertação de Timor. <BR>Devo antes de mais dizer-te que não eh meu costume comentar quaisquer postings nos variadíssimos blogs que se dedicam a questões de Timor. São muitos postings mas leio-os quase todos, muito embora o faca em diagonal, na maioria dos casos. Em consciência não poderia manter essa postura face as tuas memorias. Como disse atrás , um relato simples e desprendido de uma acção de vulto e decisiva na nossa luta. Coordena eu na altura a Frente Diplomática da Resistência e bem me lembro quão difícil foi nessa altura manter viva e dar continuidade as acções despoletadas pelo massacre do 12 de Novembro. A vossa heróica acção trouxe trouxe um novo crepitar na chama da luta que ameaçava perder intensidade. Foi uma acção valorosa, direi mesmo heróica , de um punhado de jovens em terras hostis que nos permitiu demonstrar uma vez mais a determinação do povo timorense em conquistar a sua libertação . Uma acção de imensurável dimensão , de coragem, de determinação e destemor frente a todos os perigos, incluindo a vossa própria morte. Um punhado de jovens, sem dinheiro, sem protecção mas destemidos oferendo a vida pela libertação do seu povo. Que nobreza de espírito e que grandeza de alma. A tua escrita demonstra exactamente isso e essa eh a razao porque não poderia deixar de te oferecer esta simples homenagem, para ti e para os teus colegas. Jovens que tudo deram e nada pedem em retribuição . Obrigado por relembrar esses não muito longínquos dias, mas que muitos parecem ter já esquecido. A realidade dos dias de hoje eh bem diferente desses dias em que todos, todos irmanados pelo mesmo ideal da libertação nos dávamos as mãos , sem preconceitos de qualquer espécie , sem atendermos as diferentes persuasões politicas, confissões religiosas ou estatuto social. Os timorenses, lado a lado com a solidariedade internacional, em busca do cumprimento do mais básico direito do Homem, ser livre e senhor do seu destino. Que fenómeno de solidariedade humana, sem precedentes e impar na historia do mundo. Os teus artigos transportam-me a esses tempos, para que não nos esqueçamos dos nossos heróis sem nome. Bem hajam e que Deus vos abençoe. Eu jamais vos esquecerei. <BR class=incorrect <a name="incorrect">Joao</A> </A>Viegas Carrascalão
De Joao Viegas Carrascalao a 15 de Novembro de 2009 às 02:57
Desculpem os erros de pontuação e acentos no texto. Escrevo ao correr da pena expresso o que me vai na alma, sem muita preocupação literária null

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