Quinta-feira, 18 de Dezembro de 2008

Timor-Leste e os seus Partidos Políticos: que futuro?

A eleição do Zacarias da Costa como novo Secretário-Geral do PSD, substituindo Mário Carrascalão da geração dos políticos timorenses de 1975, traz para a cena política do país questões interessante para reflectir.

 

Desde logo surja a seguinte questão: será que esta geração, apelidada de 1975 ainda tem muito para dar ao país em termos políticos, através dos partidos que representam, ou começa a pensar, tendo em conta a renovação dentro do PSD, em deixar a representação dos partidos para a geração seguinte? Esta questão tráz outra ainda mais fundamental, "que geração seguinte?"

 

A resposta para a primeira questão é "SIM" e "NÃO", ou seja, tudo depende de como as coisas vão desenrolar no país e a leitura política que as lideranças partidárias actuais as fazem. Se acharem que têm capacidade e força para continuarem vão continuar e se acharem que estão na altura de fazer renovação dentro das forças políticas que representam, as coisas aconterão naturalmente.

 

Olhando para a experiência dos outros países chamado "terceiro mundo", o panorama dos partidos políticos e os seus representantes não são, pelo menos, agradáveis. Cria-se um certo mito dentro dos partidos e este misticismo contribui, de alguma forma, para a não renovação e discussões saudáveis e democráticas dentro dos partidos. Os congressos partidários acontecem muitas vezes para dizer "SIM" ao líder histórico, aprovar o que o líder fundador apresenta, aplaudir o discurso do líder mítico. Existe, neste mundo fora, país onde a sua história se confunde com a história do partido que governa, consequentemente a história do seu mítico líder. O que se passa no Zimbabué dá para ilustrar esta afirmação.

 

O que interressa a Timor e os seus partidos políticos é que sejam abertas oportunidades para que haja participação dos jovens e da sociedade civil nas suas actividades partidárias. E que os partidos políticos tenham nos seus planos o processo de caderização e renovação para que nas suas fileiras surjam novos líderes com potencialidades para o futuro.

 

Os partidos políticos, para além das ideologias, precisam dos seus mitos e pais fundadores, mas NÃO podem depender-los eternamente. Se os partidos assim o fizer, Timor ficará a ganhar e o processo de contrução da democracia timorense ficará mais fortalecido.

Por Zito Soares às 03:12
| Comentário
4 comentários:
De H. Correia a 19 de Dezembro de 2008 às 10:52
h correia disse...
Obrigado a Maunana por retomar estas interessantes questões, que têm sido abordadas de vez em quando neste blog. É saudável e até essencial debatê-las, falar sobre elas.

Estou totalmente de acordo com Maunana e acrescento que por mais dotados que sejam os "líderes históricos", eles não são infalíveis nem super-homens (ou mulheres) nem eternos. Ninguém é.

Para além disso, um partido ou um país é a soma de todas as vontades juntas, de todas as ideias de todas as cabeças de toda a gente. Não apenas o líder "A", "B" ou "C", como se todos os outros fizessem parte da paisagem.

Deve-se fomentar a participação de todos, manifestando as suas ideias quanto ao futuro do país e não assistindo passivamente ao que dois ou três "líderes" decidem e só ser chamado a participar no dia da eleição (e mesmo assim...).

A sucessão dos "líderes históricos" só pode ser positiva se houver sucessores.

Para isso, os líderes devem meter na cabeça que apenas têm um mandato para representar os outros. Não têm carta branca para impor a sua (deles, líderes) opinião. Devem, assim, manter os olhos e os ouvidos abertos para perceber o que os outros pensam e querem.

Devem igualmente criar condições para que todos os outros possam dar a sua opinião e o seu contributo para o futuro do país.

Conforme Maunana diz, os partidos são a soma dos indivíduos que são os seus militantes, incluindo os "líderes" de 1975, mas também são um coletivo (partido ou país) que tem alma própria, a qual vai sendo moldada pelo contributo de todos, líderes ou não, novos ou velhos.

19 de Dezembro de 2008 11:02

De Anónimo a 19 de Dezembro de 2008 às 10:53
Eh de louvar Maunana por trazer de novo a tona de agua esta questao da sucessao de lideres ("historicos" ou nao). Quero dizer, tambem, que concordo inteiramente com o que diz h. correia no seu comentario. O autor do artigo e o comentarista estao ao mesmo nivel. Para quem acompanha a evolucao da politica, dos partidos politicos e dos seus lideres, o que dizem o articulista e o comentarista sao clarinhos como a agua. Mas... olhando para o naipe dos actuais lideres politicos, nao vejo em nenhum deles o minimo sinal de que concordam com a atitude assumida pelo ex-presidente do PSD quando abriu caminho para que uma geracao mais nova, onde se incluem gente que nao tem razoes "historicas" para odiar outra gente da sua geracao. Nao estou a ver Alkatiri e/ou Lu Olo admitirem que Branco, Bano, Fernandes e outros possam servir melhor a Fretilin que eles. Nao estou a ver Joao Carrascalao a ceder o lugar ao Helder, ao Luiz Rodrigues ou a outros da geracao destes. Nao vejo um Xavier do Amral a querer abdicar-se da posicao de Grande Senhor da ASDT enquanto ainda estiver vivo. Nao vejo Manuel Tilman admitir que dentro do KOTA pode haver quem sirva melhor os "monarquicos" timorenses que ele. Nao vejo Jacob Xavier ir ao Suco onde moram a quase totalidade dos militantes, convocar uma reuniao e dizer-lhes que ja esta demasiado "katuas" e, por isso, necessita de sangue novo para liderar o PPT. Nao vejo Fernando Lasama, que, nao eh tao novo como parece, dizer ao Sabino, ao Menezes, ao Adriano ou ao Vital que as ideias dele ja estao ultrapassadas e que nao consegue abandonar os seus dois maiores vicios, aqueles que vao reduzindo, precoce mas imparavelmente, as suas ja poucas capacidades intelectuais e de lideranca. Por ultimo, eh impensavel admitir que, sem Xanana Gusmao, a existencia do CNRT nao corra perigo.
Nao devemos esquecer que em TL, ser lider de um partido politico eh o mesmo que ter alguma garantia de sobrevivencia. Morrer de fome?!... Nunca!!!
Foin Sae Dili.

De Vera Monteiro a 21 de Janeiro de 2009 às 09:55
Bom dia, escrevo-vos com um pedido de ajuda, tenho grande urgência em contactar um grande amigo meu Zito Soares, proveniente de Timor Leste, perdi o contacto deste meu grande amigo e os dados que encontro relacionado a ele são o post neste blog associano ao nome de Ana Sofia Fonseca, se, pr favor, alguém me puder ceder alguma informação, agradeço imenso, tenho muita urgência na informação. Obrigada.
Vara Monteiro
De Ana Sofia Fonseca a 24 de Maio de 2009 às 00:39
Chamo-me Ana Sofia Fonseca e, de facto, conheço o Zito Soares. Já publiquei até uma história sobre ele. Vou escrever-lhe dizendo que o procura. Se quiser, envie o seu e-mail para anasofia.fonseca@gmail.com. Terei todo o gosto em fazê-lo chegar ao Zito.

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