Quarta-feira, 20 de Junho de 2007

Livro sobre lendas de Timor-Leste lançado na quinta-feira

Cerca de oito dezenas de lendas e histórias sobre usos e costumes de Timor-Leste recolhidas por timorenses que receberam formação de Língua Portuguesa, estão reunidas numa obra a lançar quinta-feira, pela Fundação Mariana Seixas, de Viseu.

 

O livro «Lendas de Timor (Baucau) e Outras Histórias» é apresentado quinta-feira, na Biblioteca Municipal por Timor, em Lisboa, com a presença da sua coordenadora, Maria Cristiana Casimiro, e do ex-presidente da Comissão Parlamentar da Assembleia da República para o Acompanhamento da Situação em Timor-Leste, Miguel Anacoreta Correia.

No dia seguinte, será dado a conhecer em Viseu, cidade onde está sedeada a Fundação Mariana Seixas.

António José Coelho, editor da obra, disse à Agência Lusa que a leitura das lendas fará os portugueses «compreenderem melhor alguns dos comportamentos dos timorenses», fortemente ancorados nas tradições.

Sete dos textos tinham sido recolhidos por um organismo francês, de carácter cultural (IRFED), que estava a trabalhar em Baucau, tendo Maria Cristiana Casimiro - que dava aulas de Língua Portuguesa naquele distrito - colaborado na sua correcção, no ano lectivo de 2001/2002.

Os restantes, que constituem o grosso da obra, surgiram de um trabalho realizado nas aulas de formação de professores/adultos em 2002/2003, no âmbito da unidade didáctica de estudo de lendas timorenses.

«A nossa interlocutora em Timor (Rosa Meneses) é que um dia nos fez chegar este trabalho às mãos», contou António José Coelho.

A obra «Lendas de Timor (Baucau) e Outras Histórias» terá uma tiragem de mil exemplares mas, segundo o editor, mais de metade serão para oferecer.

«Vamos oferecê-la a todas as bibliotecas municipais de Portugal, com o apoio da Associação Nacional de Municípios Portugueses, e também mandá-la para Timor», assegurou.

A Fundação Mariana Seixas tem reforçado a sua ligação a Timor-Leste desde que, há seis anos, recebeu na sua escola profissional, em Viseu, um grupo de dez alunos timorenses.

«Ao procedermos à edição de 'Lendas de Timor (Baucau) e outras Histórias' temos uma vez mais a noção do nosso contributo para a fixação da memória e, assim, da cultura do povo timorense», refere o presidente da fundação, Francisco Peixoto, na nota de abertura da obra.

Anacoreta Correia, que escreveu o prefácio do livro, considera que este é «um grande exercício de penetração na alma timorense».

«Fala-nos do respeito pelos antepassados, das lendas, das tradições, das relações sociais e mesmo da organização política dos povos; explica-nos a importância do dote (Barlaque), do respeito pela morte, da veneração pela Mãe Natureza; lembra-nos que os galos prolongam as tradições guerreiras e, por todo o livro, perpassa a importância da tentativa de explicação do sobrenatural», refere.

Destaca como um dos depoimentos mais interessantes o intitulado «Tradição», que «enfrenta decididamente os conflitos entre a tradição e a modernidade que se deseja para um país nascente».

«O segredo estará em que Timor avance, progrida, mas não despreze a sua matriz cultural. É uma síntese difícil, mas possível e desejável, em que às mulheres está reservado um papel decisivo, como bem se assinala», considera.

Muitos outros textos ajudam a compreender atitudes dos timorenses, como a história de «Dom Lírio» - que depois de o terem matado por diversas vezes e das mais variadas formas e de ter finalmente subido ao céu, enviou uma praga - a quem hoje ainda fazem ofertas de frango branco.

«Vocês e as gerações seguintes conhecerão tempos difíceis. Por um longo tempo, irão viver desunidos, porque desconhecem o amor, andarão sempre em conflitos e matar-se-ão uns aos outros. A vossa desunião fará com que o inimigo vos oprima facilmente, ele esmagar-vos-á e massacrar-vos-á, como vocês fizeram comigo», terá dito Dom Lírio.

Segundo o texto publicado, «os que conhecem esta lenda dizem que a história de Timor coincide com a praga» lançada por Dom Lírio: «Timor foi oprimido durante 500 anos pelo governo português, 24 anos de ditadura militar indonésia e, possivelmente, mais uns anos de pobreza e sofrimento nos inícios da independência».

 

Fonte: Diário Digital / Lusa

Data: 20-06-2007

http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=4&id_news=281810

Por Zito Soares às 12:19
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