Terça-feira, 19 de Junho de 2007

As eleições e a crise política

Moíses Silva Fernandes (*)

 

As próximas eleições legislativas em Timor-Leste vão ser cruciais para o futuro deste pequeno país do Sudeste Asiático. Existem vários prognósticos acerca dos resultados eleitorais. A sua fiabilidade, contudo, não é grande e resta-nos esperar pelo dia 30 de Junho. A despeito desta incerteza, muitas pessoas esperam que com a realização deste acto eleitoral se possa encerrar definitivamente a grave e prolongada crise política que abalou seriamente as estruturas do jovem e incipiente Estado timorense.

Apesar dos factores exógenos e endógenos subjacentes a esta crise, cabe aos dirigentes políticos timorenses encontrar compromissos políticos que viabilizem Timor-Leste como actor minimamente credível, não só internamente, mas, também, na sub-região geopolítica em que se encontra inserido. Caso contrário, serão os grandes responsáveis pela sua degradação e inviabilidade política.

Portugal, como antiga potência colonial, empenhou-se política e diplomaticamente na autodeterminação do território durante os 24 anos de ocupação Indonésia, na realização do referendo em 1999 e na sua independência em 2002. O considerável esforço português pode ser aferido pelo auxílio concedido a vários sectores da sociedade timorense e pelo envio de várias missões militares, paramilitares e civis para ajudarem na reconstrução e na estabilização do país. O montante da ajuda portuguesa ascendeu a mais de € 382 milhões, entre 1999 e 2006.

Todo este capital acumulado terá que ser, em parte, usado pelos decisores políticos portugueses para persuadir os dirigentes políticos timorenses a entenderem-se relativamente ao futuro do seu Estado. Caso estas diligências sejam insuficientes, Lisboa poderá reequacionar toda a sua abordagem e decidir por eventualmente tentar convencer potências regionais como a Austrália, a Indonésia, a Nova Zelândia e a Malásia, entre outras, para a necessidade de se tomar uma posição concertada para assegurar a viabilidade do Estado timorense. Este novo cenário poderá levar os dirigentes políticos portugueses a privilegiar contactos e entendimentos com os dirigentes da nova geração (fouan), cujas ligações a Portugal e à lusofonia são bastante ténues. Porém, a sua base de apoio eleitoral tem vindo a crescer, graças, em parte, à crise e à instabilidade política permanente em que tem estado mergulhado o país desde Maio/Abril de 2006 e à sua exclusão da área do poder e da administração pública pela geração mais velha em controlo dos órgãos de soberania.

Em suma, as eleições legislativas vão ser decisivas para o futuro político de Timor-Leste e, muito provavelmente, vão continuar a exigir um acompanhamento político especial por parte de Portugal no período pós-eleitoral.

 

(*) Investigador do Instituto de Ciências Sociais

 

Fonte: O Diabo

Data: 19-06-07

Pág: 24

Por Zito Soares às 08:30
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